Os 3 Claude: qual precisas, por que ordem.
Há três produtos com o nome Claude e quase toda a gente os confunde — a começar pelo que parece ser só para programadores e não é. A confusão custa dinheiro: começar pelo terceiro sem ter o primeiro montado é começar a casa pelo telhado.
O guia lê-se aqui em baixo, todo, sem dar email. Se quiseres levar contigo a Régua de Confiança — a página onde escreves os três critérios antes de perguntares — deixa o email e eu envio-ta.
A pergunta que me fazem todas as semanas.
Andam a aparecer anúncios de formação em Claude Code. Fui ver o que era, e percebi porque é que tanta gente me faz a mesma pergunta.
Faço testes de software há catorze anos. A parte difícil nunca foi a ferramenta. Foi saber o que pedir, por que ordem, e como verificar o que sai.
1 · Claude — o chat.
O que é: uma conversa. Abres o site ou a aplicação, escreves, recebes.
Para que serve: quase todo o teu trabalho. Contratos, relatórios, propostas, emails, resumos de reuniões, preparação de aulas, respostas a clientes. Arrastas ficheiros para dentro da conversa e ele lê-os — o contrato, a folha de cálculo, o PDF de vinte páginas.
Quando é a escolha certa: sempre que a tarefa cabe numa conversa e tu revês o resultado antes de o usar. Que é, honestamente, a maioria das tarefas de um profissional independente.
O que aqui se aprende e serve para os outros dois: escrever o contexto. Quem és, para quem trabalhas, que tom usas, o que é inaceitável. Nos Projects isso fica guardado e deixa de ser escrito de novo em cada conversa. Este é o passo que não se salta.
2 · Cowork — o que executa vários passos.
O que é: dás-lhe um trabalho com várias etapas e ele executa-as sozinho, no ambiente dele. Tu revês no fim, não a cada frase.
Para que serve: trabalho com passos encadeados — reunir informação de várias fontes, produzir um documento a partir dela, organizar ficheiros, preparar um dossiê. É a diferença entre pedir um parágrafo e pedir um dossiê.
O risco: um trabalho de vários passos falha em silêncio. Se não tens critérios escritos antes de o mandar trabalhar, recebes um documento inteiro que parece bem e está errado no terceiro passo. É aqui que a maioria das pessoas desiste — e o problema não era a ferramenta.
3 · Claude Code — o que trabalha nos teus ficheiros.
O que é: o nome assusta e não é uma ferramenta só para programadores. Corre no teu computador e é o único dos três que trabalha directamente nos ficheiros da tua máquina — cria, altera, organiza, corre coisas.
Para que serve: tudo o que é repetido e tem ficheiros pelo meio. Renomear e arrumar centenas de documentos. Extrair dados de dezenas de facturas para uma folha. Gerar quarenta relatórios com o mesmo formato. Publicar um site.
Porque é o terceiro e não o primeiro: porque é o que tem mais poder e menos rede de protecção. Trabalha nos teus ficheiros reais. Se não sabes escrever o contexto nem verificar o resultado, estás a dar acesso a alguém que não sabes avaliar.
Como escolher, em três perguntas.
Se ainda não escreveste o teu contexto, começar pelo terceiro é começar a casa pelo telhado. Não é dificuldade técnica — o terceiro instala-se numa tarde. É saberes reconhecer uma resposta errada antes de ela ter consequências.
- A tarefa cabe numa conversa e eu revejo o resultado antes de o usar? → Claude, o chat. Não precisas de mais nada. Não instales nada.
- A tarefa tem vários passos encadeados e eu consigo descrever o resultado com precisão? → Cowork. Escreve os critérios antes de o mandares trabalhar.
- A tarefa é repetida, mexe em ficheiros meus, e eu já a fiz à mão vezes suficientes para saber o que é “bem feito”? → Claude Code.
- Se hesitaste na primeira, a resposta é a primeira. Sempre.
Trinta segundos antes do próximo pedido
Escreve três critérios: o que é que esta resposta tem de ter para eu a poder usar? Observáveis, não opiniões. Tem de citar o valor do contrato. Tem de caber numa página. Tem de estar em português de Portugal.
Depois pergunta. A resposta ou cumpre os três, ou não cumpre. Sem isto, só sabes que soa bem — e a inteligência artificial é extraordinária a soar bem. É essa a armadilha.
A linha vermelha — antes de colares o que quer que seja.
Há coisas que nunca colas num chatbot: NIF · moradas · IBAN e dados de pagamento · dados de saúde · dados de menores · a tua lista de clientes · dados de terceiros sem consentimento · palavras-passe.
O teste de um segundo: enviarias isto por email a um desconhecido? Se não, não colas.
E não tens de desistir da pergunta. Tiras o nome, tiras o número, escreves “cliente A” — e perguntas à mesma. Resolve na mesma. Os dados ficam contigo.
Uma nota sobre preços: os três mudam de plano com frequência suficiente para que qualquer número escrito aqui esteja errado quando o leres. Confirma no site oficial. O que não muda é a ordem.
Escolher a ferramenta é o passo fácil.
O difícil é saber se a resposta está certa antes de a usares. É isso que ensino no curso Claude Code na Prática: ao vivo, na tua máquina, com o teu trabalho real. A Turma 3 realiza-se de 23 a 26 de novembro.
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